quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Aparência



De que cimento você foi feita, moça?
Cai e não arrebenta, chora e a chuva seca todos os prantos,
bate no rosto; e um sorriso acaricia forte a face alheia.

De que cimento, moça, você extrai tanta força?
Você se lança no escuro, se dá como ponte, e ainda continua inteira?
Já pensei que seu coração fosse de tijolo aparente, porque está tão visível esse seu jeito de não ser,
esse seu jeito de não ter, esse seu jeito de dar risadas toda prosa.
Mas de que cimento, moça, se você se curva diante da beleza de um Céu,
diante da cachoeira, diante da criançada, diante de uma estante,
diante da passarada, diante do canto de uma cigarra?

É cimento, é cimento, forte e livre como o vento.
Diante de um nada e de um imenso vazio, de onde sempre se esbarra.


Verônica Aroucha.

sábado, 2 de abril de 2011

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Deixa Estar

Quem sou eu para destrinchar o amor?
partir pelo meio para conhecer o oxigenio que da vida ele exala?
Deixa o amor quieto como uma água ao sereno.
De manha se bebe lento, inteiro por sentir seus raios dimensionais. É apenas um gole, o amor, e ele, ele se perde dentro da gente...deixa estar.

domingo, 22 de agosto de 2010

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Sou poeta da noite
anseio por dias e dias...
A Lua em tom lilás
Faz a alfazema brilhar por mim.

Sou poeta da noite
porque o Sol me aquece
nas madrugadas vazias
quando um perfume suave
inunda meus poros
Não procuro o soluço nem a lágrima
procuro por palavras soltas, sem rimas
procuro por uma orfandade da felicidade.
Abraço-me assim na noite serena.
Sou livre como uma pena
e forte como a ventania.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Deixa

Deixa
Deixa-me na minha extinta rua escura
Nem um fio de cabelo pisca o teu olhar

Deixa-me nesta extinta rua
dos desamores
dos bem-te-vis
das samambaias.

Deixa-me na extinta rua dos amores
perfeitos
Como os dedos de uma criança
Brincando de navegar.

Deixa-me
Na minha extinta rua da amargura
Onde a lua esquece de pairar
Onde o Sol não aquece.

Deixa.
É apenas uma alma que sobrevoa.

Verônica aroucha

sábado, 10 de julho de 2010

Minha Forma

Deus nos deu a poesia para entrarmos na vida.

Mas, que vida?

Ora, a vida que eu pego por hora

Por habitação



A vida é tão fugidia...



Ela me suga

Faz-me ter ouvidos por segundos

Posso até tocar-me

Sentir minha carne

Ela me reconhece

Entende meus prantos

Meus cantos tão previsíveis

São boleros

Dois pra lá, dois pra cá...

Adivinha o meu riso

um Sol noturno me banha

Deus me deu a poesia

Para que um dia

Eu adormeça feliz.



Verônica Aroucha






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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Água de Chumbo

Um chumbo escorreu pelos meus olhos
toca meu coração
Foi quando notei.

Chumbo sem cor com a cara de minha alma
Era uma caricatura de sorriso
um brilho de perola que vinha do meu olhar...

Era branco para não assustar os olhos indiferentes
para não alertar os olhos cegos dos dementes.

Um chumbo escorreu pela vida a fora
Eu enfeitava de louros para não espantar

Então de novo eu fingia um mirar, mirar.
Dançando na grama amarela da cor dos sonhos

Era mesmo chumbo sem gosto e sem emoção.

Onde ficaram as minhas lágrimas juvenis
As minhas lágrimas de mulher?

Agora essa concha quebrada
Manchada de óleo

vagueia pela areia
Esperando o mar voltar.

O sal haverá de me dar
a leveza para o chumbo
eu lavar.

Verônica Aroucha